terça-feira, 24 de dezembro de 2013

ALVORADA

A primavera chegou,
mais um ano passou.
Retumbam ao nascer
de cada alvorada
o incansável canto
da ouriçada passarada.

Anunciando um novo dia,
ecoa o grito em melodia
do destemido bem-te-vi.
Canta com o peito apertado
ouvindo o triste chamado
da solitária juriti.

Balança ao sabor do vento
na ponta do galho fino,
como se fosse um sino
o ninho do beija-flor.
Pássaro tão pequenino,
mas com imenso esplendor.

O vai e vem da corruíra
cuja dedicação nos inspira,
 sua infinda perseverança.
Desconfiada, de mansinho,
leva comida ao ninho
onde alimenta a esperança...

Sabiá! Oh pássaro divino!
Espalha no ar o seu hino
como o perfume da flor.
Incansável segue cantando
enquanto fica esperando
que lhe apareça um amor.

Sobre a água, em voo rasante,
passa imponente a todo instante
o esguio Martim-pescador.
Observando com olhar distante,
a branca garça sempre elegante,
aguarda graciosa o sol se pôr.

Ao longe grita a saracura,
mesmo com a noite escura!
Anuncia que junto com a aurora,
no amanhecer do novo dia,
os ventos trarão a chuva fria,
mandando a estiagem embora.

Azulão, tico-tico e canário,
completam o lindo cenário
das lembranças de guri.
Peço para Deus me abençoar,
quando minha hora chegar
que eu possa morrer aqui...

  Rudimar Hauenstein


Um comentário:

Beatriz disse...

A beleza da primavera quando chega a alvorada.