sábado, 19 de janeiro de 2013

FOLHAS DE OUTONO


Fantasiosas quimeras
na solidão das taperas.
Vejo a triste despedida
da pobre folha caída.

A cada fim de verão
precipitam-se ao chão.
Antes vivas, esverdeadas,
as mortas folhas douradas.

Formam lindos mosaicos
 que me parecem arcaicos
ao cair bem de mansinho,
a ladrilhar meu caminho.

As belas folhas de outono
hoje jazem sem dono,
Solitárias seguem seu curso,
esquecidas no percurso.

Os rincões se tornam mudos
com os plátanos desnudos
esperando a primavera,
na tão distante tapera.

Apresenta-se o inverno
dizendo nada ser eterno.
A geada fria branqueando
a vida que está findando.

O vento segue soprando,
o fim vem apregoando.
Chegou-me o abandono
como as folhas de outono.
                                                                        

 Rudimar Hauenstein

                             

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