É bom ser gaúcho, manejar o laço,
sentir o amor pela vez primeira,
receber da amada um carinhoso abraço
no sombreado da grande figueira.
Quando amanhece preparo a encilha,
o malacara nervoso espera por mim,
vou-me pra lida seguindo a coxilha
reunindo o gado na busca sem fim.
Executo o trabalho à cavalo,
ao longe a prenda acena para mim,
já à tardinha após o ultimo pealo
deixo a espora arrastar no capim.
Nos dias de chuva se reúne a peonada
para secar a pilcha no fogo de chão.
O dia foi árduo e ao voltar da
invernada
vou pro galpão tomar chimarrão.
Se estiver quente com sol que racha,
ou fizer frio de branquear o chão,
sempre verás o gaúcho de bombacha
indumentária de sua tradição.
No sábado me arrumo, explico por que,
a perfeição do capricho preciso
alcançar,
é dia de baile no meu CTG,
lugar onde vou prosear e dançar.
Fazendo o que gosto eu vivo feliz,
sou taura que sempre respeitou
patrão,
sair do Rio Grande eu nunca quis,
não há quem me tire da vida de peão.
Se as pessoas do mundo pudessem
saber,
nascer neste pago é uma questão de
sorte,
aqui se aprende a querer vencer
e lutar pela terra até a hora da
morte.
Rudimar Hauenstein
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