quinta-feira, 27 de abril de 2017

JOGO DO AMOR

Vou-me, embora,
agora, sem demora.
Chego na porta, devagar,
bem devagar!

Olho pra trás e nada,
ela continua calada,
dissimulando,
sem ficar me olhando.

Vou-me, devagar,
bem devagar!

Abro a porta, pra onde?
Não fala, nem olha,
saio, quase desmaio,
mas vou, falei que iria.

Fui eu que decidi,
falei por falar,
cansei de brigar,
isso precisa mudar.

Vou-me, devagar,
bem devagar!

Maçaneta na mão,
abro o portão,
estou fingindo, fugindo,
pra onde?

Ela continua parada,
calada, dissimulando,
parece não entender
o que estou falando.

Vou-me, devagar,
bem devagar!

Desesperado, chorando,
saio pra rua.
Alma despida, nua,
realidade triste, crua.

A última olhada,
ela observando,
chamando, gritando,
te amo, não vá.

Volto, rápido,
também à amo.

Rudimar Hauenstein



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