Vou-me, embora,
agora, sem demora.
Chego na porta, devagar,
bem devagar!
Olho pra trás e nada,
ela continua calada,
dissimulando,
sem ficar me olhando.
Vou-me, devagar,
bem devagar!
Abro a porta, pra onde?
Não fala, nem olha,
saio, quase desmaio,
mas vou, falei que iria.
Fui eu que decidi,
falei por falar,
cansei de brigar,
isso precisa mudar.
Vou-me, devagar,
bem devagar!
Maçaneta na mão,
abro o portão,
estou fingindo, fugindo,
pra onde?
Ela continua parada,
calada, dissimulando,
parece não entender
o que estou falando.
Vou-me, devagar,
bem devagar!
Desesperado, chorando,
saio pra rua.
Alma despida, nua,
realidade triste, crua.
A última olhada,
ela observando,
chamando, gritando,
te amo, não vá.
Volto, rápido,
também à amo.
Rudimar Hauenstein
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