Como será
o último adormecer,
sem mais despertar
se deixar levar
ao derradeiro renascer?
Como será
viver sem dor,
sem sentir frio e calor,
tristeza, medo e fome
e a aflição que consome?
Como será
não sentir o vento,
os pingos da chuva,
o perfume da flor,
o sabor da uva?
Como será
sair do mundo,
desse corpo moribundo
amparado na virtude,
agraciado de plenitude?
Será que viveremos
onde o dia de hoje
é igual ao de ontem
e o amanhã
será igual a hoje?
Deve ser a outra vida
certeza prometida,
onde a alma desprovida,
temerosa e carente
terá paz eternamente.
Rudimar Hauenstein
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