sábado, 25 de novembro de 2017

CHIMARRÃO

Sorvo o amargo mate
como quem beija a tua boca,
aos poucos, com paciência,
despertando na consciência
o doce sabor dos beijos
dos lábios de minha amada.

O vento uiva canções de amor
assoviando na quina do oitão
tentando afastar a dor,
 afogar a doída tristeza
de uma vida sem beleza
no mais distante rincão.

Pingos caem do telhado
cadenciando a bela canção
para lembrar ao coração,
 melindroso, jamais amado,
 esse solitário peão
sonha ser encontrado.

O campo envolto em neblina
mais parece o branco véu,
presente que cai do céu
nessa isolada tapera
onde um gaúcho espera
por sua linda menina.

A solidão gera meu pranto
ao fantasiar teu encanto,
como se a alma fosse fugir
sem saber para onde ir.
Sorvo o amargo mate
como quem beija a tua boca.

Rudimar Hauenstein


Nenhum comentário: